Preconceito – Facebook

Sinceramente.
Não preciso ser negro para ser contra o racismo, seja direto ou velado.
Não preciso ser homossexual para entender o quão doloroso pode ser a homofobia.
Não preciso ser umbandista para compreender o quão ruim é um país intolerante.

Também não sou hipócrita de acreditar que nasci sem preconceitos ou que não os tenho. Porém todo dia tento pisar sobre eles, no intuito de me tornar uma pessoa melhor. Saber o que é errado é primeiro passo para adotar a postura correta

Não preciso ser evangélico para compreender o que é o preconceito quando se diz qual igreja frequenta.
Não preciso ser pobre para sentir o olhar alheio de “acomodado” com o cartão de benefícios na mão.
Não preciso ser ateu para saber o que é ser discriminado pelo que se acredita ou deixa de acreditar.

É muito difícil de primeiro momento. O nosso próprio vocabulário, fruto de nossa cultura, expressa bem esses pequenos preconceitos do dia-a-dia. Lembro de um filme que eu assisti sobre o Malcolm X, seu tutor pedia para que ele olhasse no dicionário o sentido da palavra “preto” e depois do “branco”. Nós vivemos acreditando que “viado” possa ser uma ofensa, que “favelado” não é condição social, é ser um degenerado. Que “pagão” possa ser algo ruim ou que “ateu” é ainda pior.

Não preciso ser um dependente químico para compreender que isto é uma doença.
Não preciso ter algum deficit intelectual para saber que a sociedade sente pena e dó.
Não preciso ser gordo para saber o quão difícil é não se enquadrar em algum padrão.

Viver socialmente é compreender diferenças, das simples até as mais sofisticadas. Engana-se quem acha que ser cidadão é ganhar uma bela forma ao nascer e passar sua vida inteira, em vão, tentando se encaixar nela.
Sofri o preconceito por ser gordo. Também vi o preconceito que meu pai viveu por ser negro, que minha mãe viveu por ser tímida, que meus amigos viveram por seus próprios motivos. Por muito tempo também fui o preconceituoso, imerso em minha própria ignorância e ego, acreditando que o certo era o que eu acreditava.

Ainda busco ser uma pessoa melhor. Sei que nessa vida, curta por definição, não conseguirei me despir de todos os meus preconceitos, mas quero tentar até o último instante dela, não só a mim, mas também para que outros possam pensar melhor sobre as suas próprias posturas. E quando por fim embarcar no barco de Caronte, posso sorrir por ter feito tudo que podia.

 

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Postagem originalmente publicada no dia 10/09/2014 em decorrência aos diversos crimes de intolerância que surgiram.