2015… Que ano político estranho!

Vou te falar, 2015 foi um ano estranho dentro da política!

O país polarizou-se e quem perdeu fomos nós. Em uma das páginas organizadoras das manifestações fica claro como anda o pensamento comum brasileiro “NA GUERRA DO BEM CONTRA O MAL”, assim mesmo em caixa alta para mostrar a agressividade que impera nos discursos vagos. E o outro lado desta pendenga também não está muito longe mostrando que o governismo é uma doença de difícil cura nesse trópico.

Vamos aos pontos claros: Quase ninguém está satisfeito com o governo atual. Fica complicado avançar com uma oposição que apenas faz jus ao nome e, sinceramente, está pouco interessada no melhor para o Brasil, quer que cheguemos no fundo do poço para que aprendamos em quem votar, no caso neles mesmos. Barrando leis de importância para o país e tentando salvar os seus.

A primeira vítima de uma guerra política: A verdade.
A primeira vítima de uma guerra política: A verdade.

Enquanto isso não sabemos o que aconteceu exatamente com aquele PT antes da eleição de Lula. É pouco crível que um partido que se ergueu com bandeiras tão honestas e importantes tem a desonestidade moral de comemorar a saída de seus filiados da prisão. E pior é imaginar “O que esse cara está fazendo lá ainda?”, se fosse um partido minimamente sério já teria botado na rua todo acusado de corrupção. Uma limpeza mais que necessária.

O que gera alguns comentários até que estranhos vindos dos que escolheram o outro candidato. Agora agem como se tivessem escolhido o certo e os outros o errado.

Mas coloquemos os pontos nos “is”. Os dois lados escolheram os errados, ali era uma mera questão estética de quem acreditou na forma de governo de cada partido. Ou você votava na Dilma e aguentava o restante do partido e suas corrupções, ou votava no Aécio e levava o próprio corrupto para o planalto. Aquele tipo de decisão que você sabe que dará errada de qualquer forma e no final você pede até desculpa para o mesário sobre o que você fez. A única arma de quem votou no segundo lugar é que não podemos previr como ele governaria. O que é bem falho também, mas cada um se engana como quer ou consegue.

Há dois sentimentos que se usa na hora do voto e nenhum deles é coerente: Medo e esperança. Temos medo do que o outro candidato poderá fazer e esperança que o escolhido faça melhor.

E para entornar o caldeirão político uma face do brasileiro que andou oculta por tanto tempo volta a brilhar sob o sol e aplausos da massa que não consegue nem identificar a diferença entre o executivo e legislativo.

A figura de Jair Messias Bolsonaro ganha o povo. Militar da reserva e deputado federal há 25 anos tornou-se o bastião do analfabetismo político brasileiro. Em toda a sua carreira como deputado foi responsável por apenas UM projeto (que nem conseguiu ser votado) e ainda colocou seus filhos na política.

Um preconceituoso “com muito orgulho” que já defendeu a tortura, o golpe militar, relacionou relações inter raciais como promiscuidade e que filhos homossexuais são casos “falta de porrada”. Isso que não disponho de tempo nem vontade para enumerar todos os seus problemas. Assim aos poucos observamos calados o nascimento do fascismo à brasileira. Aquele que prega uma arianidade parda que no máximo que consegue pensar é em uma separação do sul do resto do país (mesmo sendo de São Paulo e não entender que não faz parte de Sul), o que é chamado de Ariano Sonho de Valsa, preto por fora e branco por dentro.

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Dá até pena de quem torce por isso.

E como no início do texto eu falava sobre a luta entre o bem e o mal, é claro que precisavam de um nêmesis para o Bolsonaro e no fim conseguiram apenas a antítese na forma de Jean Willys.

Diferente de Bolsonaro com seu único projeto em 25 anos, Willys apresentou 8 projetos em seus mandatos e ganhou recentemente o prêmio de melhor deputador de 2015, mas em uma sociedade de intolerância que cresce de forma assombrosa fica difícil ter seus méritos reconhecidos.

E nesse mar infundado de ódio sobra boatos como: Emenda à Bíblia, licença-maternidade para quem fazer aborto, defesa da pedofilia e outros ataques que só expõem a mentalidade medíocre de quem espalha.

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Enquanto isso, em meio ao espalhafatoso pedido de impeachment, os holofotes deixaram um pouco de lado o governador de São Paulo que fez e desfez do jeito que só quem é blindado pela imprensa pode. Alguns até ameaça-no de filiar Alckmin ao PT e assim ele poder responder por seus erros. E para ficar realmente feio é ter que ler do Paulo Maluf (Sim… Esse do “rouba, mas faz” e do “estupra, mas não mata”) “Eu Paulo Maluf me orgulho de ter construído 998 escolas, mais de 300 creches e não fechei nenhuma”. 

Nesse meio tempo conseguiu-se a proeza de criminalizar o pensamento de esquerda como se fosse algo absurdo. Na verdade o que se percebe no pensamento pequeno dessas pessoas é vontade de sobrepujar a democracia, deixando de lado a pluralidade política que enriquece o discurso político. Ainda bem que os “argumentos” para tal nem bem podem ser chamados disso. São apenas frases desconexas cheias de jargões canhestros que parecem ter sido roteirizados nA Praça é Nossa: Dilmalandra, VaDilma, corruPTo, petralha e outras bobagens desse nível infantil são destiladas contra qualquer um que se diz de esquerda, esquecendo que a própria esquerda tem tantas ramificações como qualquer pensamento político. Isso sem mencionar que esses conceitos já estão defasados há um tempo.

A mesma pessoa que coloca regimes ditatoriais como Cuba e Coréia do Norte como sendo filiados à esquerda, esquece de países como Finlândia e a Áustria, mais socialistas que os dois primeiros. Afinal apenas se cita o que te interessa.

E assim se formou o caldo político chamado de 2015. Um ano que poderia ser próspero em todos os sentidos, caso a classe política estivesse realmente determinada a cooperar com isso. Mas preferiram ficar brincando de vermelhos contra azuis enquanto os verde-amarelos ficam discutindo entre si e tomando lados em uma guerra que só perdem.

 

Mas podemos resumir tudo isso em menos de 140 caracteres:
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Eleições

Época de eleição é sempre uma época de agrados ao comércio.

Veja você, se nos anos que se passam ninguém nota o comerciante ali, parado à beira do balcão, incansável em sua tarefa de atender ao público,  quando se aproximam as eleições a coisa muda de figura. Principalmente em eleições municipais, naquelas que se escolhe o prefeito e vereadores. Quanto mais perto de Outubro, mais candidatos aos cargos públicos aparecem para dar bom dia, perguntar como andam as coisas e se o movimento está bom.

É claro que tudo isso com uma superficialidade calculada. Ninguém quer saber realmente os teus problemas ou da cidade. É como quando te perguntam “Tudo bem?”, ninguém quer realmente saber de sua dor de dente ou das tuas dívidas, só desejam iniciar uma conversa.

Então os candidatos aparecem, dizem seu nome, contam como desejam mudar a cidade para melhor e quando você percebe já tem alguns santinhos no balcão, junto de jornais elogiosos e um pôster na parede.

Eu tenho uma política clara quanto a isso: Não.

“Posso colocar esse pôster?” Não

“Posso deixar uns jornaizinhos?” Não

“Candidato Fulano de tal! O melhor para nossa cidade!” Não

Simples assim. Inclusive instruo meus funcionários a também não aceitarem panfletos a não ser que tenham interesse e se for o caso não o mantenham no balcão.

Isso me lembra de um funcionário que tive, ele tinha vindo do interior e seu conhecimento político beirava ao risível, com comentários do tipo “Presidente? Não sei quem em votar aqui, mas se eu tivesse na minha cidade eu saberia”. Orientei o rapaz para que não aceitasse propagandas políticas e ele prontamente passou a não deixar que colocassem ou dessem nada.

Então veio o prefeito da cidade.

Ele parou no balcão e cumprimentou todos, tinha um calhamaço de jornais na mão. “Queria deixar aqui esses jornais do candidato que estou apoiando…”, o funcionário não pensou duas vezes, “O senhor não pode deixar isso aqui não!”. Lembro dos outros funcionários, e eu também, empalidecendo. O prefeito pegou seus jornais e saiu. Perguntei se ele sabia quem era o homem que estivera ali e ele disse que o rosto não lhe era estranho.

Conforme a eleição se aproxima e aparecem cada vez mais candidatos, bandeirolas, adesivos… As ruas vão ganhando cores e passado o dia da eleição tudo some e a cidade volta a ser cinza. Mas se engana caso você acredite que só verei eles novamente daqui à quatro anos, na segunda-feira depois das eleições ainda tenho contato com os candidatos, ou ao menos o que sobrou deles. Uma pilha de santinhos me espera na calçada, prontos para serem varridos para a lixeira.

1349618699165-lixo-de-campanha(A foto não foi tirada em frente ao meu estabelecimento. Assim que passarem as eleições eu substituo por uma tirada por mim)

 

 

Meu nome você conhece e confia. Sou Pedro Moreno, candidato à vaga de comerciário e escritor de nossa cidade, tão maltratada pelo descaso público. Conto com o seu voto, para que em Outubro possamos mudar essa situação e trazer o desenvolvimento para nossa cidade. (Para contribuir com a campanha, clique aqui)

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