Olha lá o homem!

A cena começa em um supermercado, daqueles comuns por aí com uma fileira de quarenta caixas e apenas cinco com um operador, sendo que dois deles estão esperando alguém lhes trazer troco.

Na morosidade pantanosa do lugar, as filas começam a aumentar com toda sorte de consumidores desde o pãozinho para o café da tarde, quanto ao carrinho cheio da compra do mês. E nessa situação, ali incrustado nem no final, nem no começo da fila, estou eu. Filho legítimo da sociedade capitalista, consumidor ativo e triunfante com um saco de pão e uma bandeja de frios. Obstinado a cumprir minha missão pouco honrosa de abastecer minha mesa com alimento e girar a roda da economia. Enquanto você vê um sujeito comum com um saco de pão, por trás está um dos maiores incentivadores do mercado de capitais. Juro para você!

Mas a fila continua chata e longa. Ficar esperando sua vez faz com que sua mente voe além da imaginação comum, quando percebo, me vejo como um cavaleiro de capa e espada, cavalgando minha montaria em um campo aberto quanto ao longe um enorme monstro se agiganta no horizonte, pronto para ser abatido por mim.

Então sou chamado de volta à realidade.

À minha frente uma criança chora, aquele choro pouco doído, que não produz lágrimas apenas desejos. Conhecido popularmente como “manha”. Produzido por seres humanos ainda em idade infantil quando desejam aqueles brinquedos que vem com balas dentro, estranhamente dispostos à altura de seus olhos nas gôndolas que cercam os caixas.

A mãe, impassível, primeiro tenta a tática do “não estou vendo”. Olha para algum ponto fixo no meio do supermercado. Mas não adiantou, a criança chorava enquanto puxava a sua camiseta, então ela se virou bruscamente, procurou algo que não pude entender de imediato, apontou para mim e disse:

– Olha lá o homem! Se não se comportar ele vai brigar com você!

Lembro de ter arregalado o olho de imediato. Conferi se não tinha saído de casa, por engano, com alguma camiseta que remetia à alguma gangue criminosa ou coisa parecida, mas não era o caso, eu parecia um cidadão comum.

Entre minhas compras nenhum objeto que poderia ser atribuído à algum criminoso. Talvez ao invés de pegar a mussarela eu possa ter me confundido e estar agora portando um machado. Vai saber.

O menino olhou para mim, ele com no máximo um metro de altura e eu com meus 1,83. Parou na hora e eu me senti o pior dos homens, um verdadeiro pária da sociedade, um espreitador das sombras em busca da carne infante para me alimentar. Na outra hora eu era o cavaleiro de armadura reluzente e agora sou o monstro que assusta crianças manhosas.

Logo eu tão pacífico. Nunca entrei em briga, tenho medo de armas e escolhi a profissão de professor! Poderia alguém ser mais gente boa que eu?

A fila aos poucos se dissipou e fui atendido. A criança ainda me lançou um último olhar antes de ser puxada pela mãe, olhos inocentes que diziam “Por favor moço, não me mate”, eu apenas abaixei a cabeça com vergonha de ser um monstro.

Regras claras para escritores

Estava eu calmo e tranquilo navegando por esse mar digital quando me deparei com 8 regras de etiqueta da escrita, do autor Felipe Castilho, compartilhado sabiamente por um comparsa de letras do meu Facebook. Ao ler o texto deveras elucidativo, e recomendado, resolvi eu também criar minhas regras para a escrita. (Com um humor um pouco mais ácido, é claro)

 Regras indispensáveis para escritores por Pedro Moreno

1º O mundo é teu. Não existe outros autores ou outros livros. Tudo gira em torno de seu gênio e de tua obra. Conte apenas sobre o seu livro e a mais nova resenha elogiosa que recebeu. Essa regra apenas não vale se…

2º … Houver um autor que goste de você. Caso algum autor o admire, você pode também o admirar. Como uma troca, justa de favores intelectuais, logo vocês dois se tornam uma dupla de autores geniais, é claro que essa regra não se aplica caso…

3º … O autor seja realmente famoso. Gostar de autores famosos pode, e deve. Principalmente para criar aquela empatia com teu público que é…

4º … Teu combustível. Imagine que você é um carro, mas não um qualquer. Você é aquele Opala cinza, 8 canecos que bebe gasolina de tal forma que as ações da Petrobras disparam quando você encosta seu carango em um posto de gasolina. Para chegar ao estrelato, cujo caminho é longo, você precisa de combustível e seus fãs serão a salvação…

5º… Exceto, é claro, que você realmente tenha feito uma obra-prima. Aí não tem jeito, ninguém vai te compreender ou sequer gostar do teu livro. Viverá uma pindaíba grande e só ganhará alguns trocados com serviço de revisão ou ghost-write. Quando enfim você morrer e terem passadas algumas décadas é que teu valor literário será enfim reconhecido. Antes tarde do que nunca, afinal!

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