2015… Que ano social estranho!

Dizem que na verdade o conceito de esquerda e direita política não podem ser colocados em uma régua, dizendo que um está distante do outro. A melhor definição é a ferradura, onde os extremos ficam perto uns dos outros, mas sem se tocarem.

Teoria da Ferradura 1

Com o surgimento da New Wave of Brazilian Right (inventei o termo baseado o NWBHV), e segundo Newton “sempre que um corpo exerce uma força sobre outro, esse outro exercerá sobre o primeiro uma força de mesmo módulo e em sentido contrário”, podemos ver o crescimento dos justiceiros sociais. Um grupo alinhado ao pensamento de esquerda que consegue envergonhar a esquerda e dar munição à direita.

E com esse grupo surgiu uma grande quantidade de neologismos tão ruins quanto os já discutidos aqui. Descobrimos termos, e seus funcionamentos, de coisas como emponderamento, lugar de fala, espaço seguro e outros mais. Até aí parecia algo tranquilo, mas com eles surgiu coisas abomináveis como palmitagem, omice, falsa simetria etc.

A situação, que já era ruim tendo que aguentar um monte conservadores jovens (Hahahaha), ficou pior 2015 com esses grupelhos que conseguem tirar do sério qualquer pessoa com um mínimo de inteligência. A começar com o neologismo OMI.

Se você não sabe o que é “omi” (ou “uzomi” ou “omice” ou “piroco”), saiba que é uma forma pejorativa de se escrever “homem”. E seguido desse substantivo seguem as maiores barbaridades misândricas possíveis.

Um clássico da Aventuras na Justiça Social
Um clássico da Aventuras na Justiça Social

É isso mesmo amiguinho. Enquanto uns lutam para fazer o mundo um lugar mais igual e com oportunidades para todos, outros problematizam tanto que gera um curto circuito na cabeça e acabam por denegrir a imagem do movimento social. Ou você acha que com um discurso desse alguém leva a sério esse feminismo canhestro? Que aliás nem consegue respeitar seus pares.

Sejamos sinceros uns com os outros. É preciso de pessoas que zelem por grupos sociais que são historicamente oprimidos por “n” motivos que nem preciso elencar aqui. O que não precisamos é de mais ódio.

E por falar em ódio você sabe o que é eugenia?

Basicamente é um pensamento social que prega a eliminação de pessoas “geneticamente inferiores” em prol de uma sociedade “melhor” (caso ficou curioso tem mais aqui sobre o tema). Um exemplo desse tipo de pensamento foi o governo nazista na Alemanha que bolou um plano para extinguir raças consideradas inferiores.

É claro que volta e meia reaparece essa questão. E esse ano ela voltou a aparecer na forma da palavra palmitagem.

Hitler curtiu isso

Hitler curtiu isso

Segundo uma parcela (ainda bem que é pequena) do movimento negro, cada pessoa só deve se relacionar com pessoas da mesma cor. Isso mesmo que você leu. Nós brasileiros, que somos frutos da miscigenação étnica, em pleno século XXI onde o conceito raça já não é aceito e filhos da mistura onde não há mais africanos originais na nossa terra, teríamos que (sabe-se lá como!)  nos relacionarmos apenas com pessoas de cores parecidas com a nossa.

Minha esposa e eu
Minha esposa e eu

Na foto acima consta minha esposa e eu. Você pode ver pelo cabelo encarapinhado de minha esposa e por sua cor que ela é negra . Já o meu rosto rosado, de quem bebeu algumas, e minha barba lisa, indica que sou branco. Porém o que a foto não mostra é que o pai de ambos era negro, ficando a tonalidade mais clara por causa da mãe. Então não poderíamos estar juntos, afinal apesar de ambos terem o pé na África, nascemos de cores diferentes.

O que é uma bobagem sem tamanho.

E não fica por aí, pois cada movimento social já tem sua parcela de justiceiros prontos para esculhambar geral. Tem no movimento LGBT, Negro, Feminista, Direitos dos Animais (sério…) e parecem cada vez ganhar mais voz (Recomendo a página Aventuras na Justiça Social para entender melhor).

Então movimentos que sempre foram bons para sociedade, nas questões de legitimar lutas honestas contra problemas sérios, acabam por tornarem-se caricaturas grotescas pós-modernas e facilmente destabilizadas por argumentos.

Para terminar sobra a frase do grande educador Paulo Freire (que alguns dirão que não vale nada, afinal ele era cis/branco/hétero/omi/opressor).

 

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2015… Que ano político estranho!

Vou te falar, 2015 foi um ano estranho dentro da política!

O país polarizou-se e quem perdeu fomos nós. Em uma das páginas organizadoras das manifestações fica claro como anda o pensamento comum brasileiro “NA GUERRA DO BEM CONTRA O MAL”, assim mesmo em caixa alta para mostrar a agressividade que impera nos discursos vagos. E o outro lado desta pendenga também não está muito longe mostrando que o governismo é uma doença de difícil cura nesse trópico.

Vamos aos pontos claros: Quase ninguém está satisfeito com o governo atual. Fica complicado avançar com uma oposição que apenas faz jus ao nome e, sinceramente, está pouco interessada no melhor para o Brasil, quer que cheguemos no fundo do poço para que aprendamos em quem votar, no caso neles mesmos. Barrando leis de importância para o país e tentando salvar os seus.

A primeira vítima de uma guerra política: A verdade.
A primeira vítima de uma guerra política: A verdade.

Enquanto isso não sabemos o que aconteceu exatamente com aquele PT antes da eleição de Lula. É pouco crível que um partido que se ergueu com bandeiras tão honestas e importantes tem a desonestidade moral de comemorar a saída de seus filiados da prisão. E pior é imaginar “O que esse cara está fazendo lá ainda?”, se fosse um partido minimamente sério já teria botado na rua todo acusado de corrupção. Uma limpeza mais que necessária.

O que gera alguns comentários até que estranhos vindos dos que escolheram o outro candidato. Agora agem como se tivessem escolhido o certo e os outros o errado.

Mas coloquemos os pontos nos “is”. Os dois lados escolheram os errados, ali era uma mera questão estética de quem acreditou na forma de governo de cada partido. Ou você votava na Dilma e aguentava o restante do partido e suas corrupções, ou votava no Aécio e levava o próprio corrupto para o planalto. Aquele tipo de decisão que você sabe que dará errada de qualquer forma e no final você pede até desculpa para o mesário sobre o que você fez. A única arma de quem votou no segundo lugar é que não podemos previr como ele governaria. O que é bem falho também, mas cada um se engana como quer ou consegue.

Há dois sentimentos que se usa na hora do voto e nenhum deles é coerente: Medo e esperança. Temos medo do que o outro candidato poderá fazer e esperança que o escolhido faça melhor.

E para entornar o caldeirão político uma face do brasileiro que andou oculta por tanto tempo volta a brilhar sob o sol e aplausos da massa que não consegue nem identificar a diferença entre o executivo e legislativo.

A figura de Jair Messias Bolsonaro ganha o povo. Militar da reserva e deputado federal há 25 anos tornou-se o bastião do analfabetismo político brasileiro. Em toda a sua carreira como deputado foi responsável por apenas UM projeto (que nem conseguiu ser votado) e ainda colocou seus filhos na política.

Um preconceituoso “com muito orgulho” que já defendeu a tortura, o golpe militar, relacionou relações inter raciais como promiscuidade e que filhos homossexuais são casos “falta de porrada”. Isso que não disponho de tempo nem vontade para enumerar todos os seus problemas. Assim aos poucos observamos calados o nascimento do fascismo à brasileira. Aquele que prega uma arianidade parda que no máximo que consegue pensar é em uma separação do sul do resto do país (mesmo sendo de São Paulo e não entender que não faz parte de Sul), o que é chamado de Ariano Sonho de Valsa, preto por fora e branco por dentro.

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Dá até pena de quem torce por isso.

E como no início do texto eu falava sobre a luta entre o bem e o mal, é claro que precisavam de um nêmesis para o Bolsonaro e no fim conseguiram apenas a antítese na forma de Jean Willys.

Diferente de Bolsonaro com seu único projeto em 25 anos, Willys apresentou 8 projetos em seus mandatos e ganhou recentemente o prêmio de melhor deputador de 2015, mas em uma sociedade de intolerância que cresce de forma assombrosa fica difícil ter seus méritos reconhecidos.

E nesse mar infundado de ódio sobra boatos como: Emenda à Bíblia, licença-maternidade para quem fazer aborto, defesa da pedofilia e outros ataques que só expõem a mentalidade medíocre de quem espalha.

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Enquanto isso, em meio ao espalhafatoso pedido de impeachment, os holofotes deixaram um pouco de lado o governador de São Paulo que fez e desfez do jeito que só quem é blindado pela imprensa pode. Alguns até ameaça-no de filiar Alckmin ao PT e assim ele poder responder por seus erros. E para ficar realmente feio é ter que ler do Paulo Maluf (Sim… Esse do “rouba, mas faz” e do “estupra, mas não mata”) “Eu Paulo Maluf me orgulho de ter construído 998 escolas, mais de 300 creches e não fechei nenhuma”. 

Nesse meio tempo conseguiu-se a proeza de criminalizar o pensamento de esquerda como se fosse algo absurdo. Na verdade o que se percebe no pensamento pequeno dessas pessoas é vontade de sobrepujar a democracia, deixando de lado a pluralidade política que enriquece o discurso político. Ainda bem que os “argumentos” para tal nem bem podem ser chamados disso. São apenas frases desconexas cheias de jargões canhestros que parecem ter sido roteirizados nA Praça é Nossa: Dilmalandra, VaDilma, corruPTo, petralha e outras bobagens desse nível infantil são destiladas contra qualquer um que se diz de esquerda, esquecendo que a própria esquerda tem tantas ramificações como qualquer pensamento político. Isso sem mencionar que esses conceitos já estão defasados há um tempo.

A mesma pessoa que coloca regimes ditatoriais como Cuba e Coréia do Norte como sendo filiados à esquerda, esquece de países como Finlândia e a Áustria, mais socialistas que os dois primeiros. Afinal apenas se cita o que te interessa.

E assim se formou o caldo político chamado de 2015. Um ano que poderia ser próspero em todos os sentidos, caso a classe política estivesse realmente determinada a cooperar com isso. Mas preferiram ficar brincando de vermelhos contra azuis enquanto os verde-amarelos ficam discutindo entre si e tomando lados em uma guerra que só perdem.

 

Mas podemos resumir tudo isso em menos de 140 caracteres:
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Eleições chegando

Nesse domingo nós iremos às urnas para votar e aqui seguem alguns conselhos.

Primeiro e mais importante, desconfie de conselhos, inclusive estes aqui. Saiba que todo texto, vídeo ou foto tem algum propósito e geralmente é de te fazer mudar sua posição, ou reforçar alguma que você já tenha. Reflita sobre tudo o que lê, mas apenas mude se fizer sentido para você e suas próprias convicções. De que adianta viver o pensamento alheio? Crie os seus próprios! Abandone todos os conceitos prontos que você tem e viva a novidade, o frescor de novas ideias lhe fará bem. Olhar sobre outras perspectivas o lhe tornará mais afiado e quanto melhor funcionar sua mente, melhores decisões tomará.

Pense no Brasil como uma empresa, cujo dono é você. Votar em um candidato é o mesmo que contratar alguém que lhe representará. Quais qualidade você busca em um funcionário? São as mesmas que você busca em seu político?

Entenda que todos os candidatos terão defeitos. Eles são humanos e erram, tem vícios e deficiências. Você não escolherá a pessoa perfeita, pois esta não existe. A escolha será daquele cujos defeitos você crê que não atrapalharão na vida pública. Fuja de defeitos morais, são esses que acabarão por definir o posicionamento dele sobre temas controversos.

Está pensando em votar alguém que já teve algum cargo público? Pesquise seus feitos e decisões no antigo mandato. Ninguém muda de opinião do dia para noite, provavelmente ele continuará com os mesmos acertos e erros.

Saiba separar o que é o candidato e o que é o partido, porém tenha em mente que as decisões do candidato pouco se distanciam do partido, tal qual o fruto da árvore que nunca cai longe do pé.

Esqueça pesquisas. Alterando datas e amostragens é possível colocar qualquer dado que se precise. Vote em quem você acredita, não pense no voto utilitário.

Entenda a diferença entre voto branco, nulo e na legenda. O voto em branco será preenchido para quem estiver ganhando, o nulo é inválido e você deixará de escolher deixando que os outros o façam por você e a legenda, para cargos de deputados e senador, é um voto para que o partido escolha o candidato.

Converse com seus amigos. Pergunte quais critérios utilizaram para a escolha. Extraia o melhor pensamento de cada um para conseguir fazer o seu.

Não pense como se fizesse parte de uma guilda. Não limite suas escolhas sobre algum grupo que você acredite que faça parte. Não vote no cômico, no descolado e no famoso. Vote em pessoas, não em cargos. Vote no candidato que tenha propostas, não em quem você conhece da televisão, rádio ou internet.

Não retroceda a nossa já frágil política. Espelhe-se nas conquistas de países desenvolvidos e pense nessas mesmas mudanças para o Brasil. Devemos retroceder nosso pensamento para algo inaceitável?

Não acredite que você é o padrão. Há muitos outras pessoas ao redor e nenhuma delas deve ser o padrão também. O candidato deve governar para o país inteiro, não só para você ou um grupo específico. Quem não sabe conviver com diferenças, tampouco deveria ser eleito. Deixe de pensar no microcosmo e pense no macro. Quanto maior o cargo, mais abrangentes tem de ser as propostas.

Acredite no arrependimento sim, mas tome cuidado com a reincidência. O candidato foi considerado culpado e continua a fazer política como se não tivesse, não é alguém confiável.

Por fim, façamos o melhor agora, pois amanhã, depois dos votos computados e os candidatos eleitos, pode ser tarde demais.

Boa sorte para todos nós.

Aumentando o valor da nota

Algo que acontece muito em comércios é a pessoa pedir para emitir uma nota fiscal, ou pedido, com um valor maior, diferente do que vai efetivamente pagar.

Quando comecei a administrar a loja a primeira vez que me pediram isso eu disse não, o cliente argumentou dizendo que o dono anterior, meu pai, fazia isso sempre, que a peça seria cobrada da cliente e ele não tinha colocado o valor do serviço.

Continuei no não e hoje tenho todo uma reflexão por trás disso.

Pode parecer simples, afinal o que o comerciante perde caso coloque um valor maior na nota?  Perde, e muito!

O primeiro valor a se perder é o monetário, notas fiscais constam o valor e terá sua devida porcentagem paga à União. Mesmo assim alguém pode dizer, faz então um pedido, que não tem valor fiscal, com valor diferente, ainda assim há custos.

O primeiro e mais gritante é o moral. Posso parecer um comerciante antiquado, ou até mesmo raro, porém a honestidade é uma moeda de valor muito alto para quem lida com o público, se você tem o costume de flexibilizar seus valores éticos, o que garante que você não aplique golpes em seus clientes?

Confirmo por experiência que todas as lojas que conheço, que adotam tal prática também vendem peças usadas, “esquecem” de colocar a garantia e outros pequenos golpes.

Depois vem o valor da confiança, algo também necessário para o comércio. Quando você vende algo, você cria com o comprador uma relação de confiança que depende dos dois lados. Atendo muitos outros comércios que confiam em seus funcionários para vir comprar algo e alguns pedem para alterar valores. Eu gostaria que um funcionário meu fizesse isso? A resposta é fácil.

Mas alguns funcionários meus, que hoje já não trabalham comigo, tinham esse costume, herdado de outras épocas. Então aconteceu algo que lhes ensinou a entender o problema por outras questões. Um mecânico levou um pedido com um valor bem acima, consertou a máquina da mulher, porém não achou realmente o defeito e acabou por não mais atender o telefone de sua cliente abandonando-a. Ela descobriu sozinha o defeito e veio tentar pegar o dinheiro de volta, munida de sua nota. Isso mesmo que aconteceu, ela acabou recebendo mais dinheiro pela peça do que haviam pago anteriormente, resultando em prejuízo para o caixa.

Já tive funcionários com uma moral bem baixa,  e essa foi a única forma de exemplificar para eles o quão ruim era emitir notas adulteradas.

Não preciso dizer que perdi muitos clientes por causa disso. Mas pensem comigo, vale a pena manter um cliente desonesto? Para alguns sim, mas não gosto de trabalhar desta forma e sei que a loja poderia estar muito melhor hoje se eu não tivesse ética para com os clientes, fornecedores e funcionários. É afinal o preço a se pagar pela honestidade.

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Preconceito – Facebook

Sinceramente.
Não preciso ser negro para ser contra o racismo, seja direto ou velado.
Não preciso ser homossexual para entender o quão doloroso pode ser a homofobia.
Não preciso ser umbandista para compreender o quão ruim é um país intolerante.

Também não sou hipócrita de acreditar que nasci sem preconceitos ou que não os tenho. Porém todo dia tento pisar sobre eles, no intuito de me tornar uma pessoa melhor. Saber o que é errado é primeiro passo para adotar a postura correta

Não preciso ser evangélico para compreender o que é o preconceito quando se diz qual igreja frequenta.
Não preciso ser pobre para sentir o olhar alheio de “acomodado” com o cartão de benefícios na mão.
Não preciso ser ateu para saber o que é ser discriminado pelo que se acredita ou deixa de acreditar.

É muito difícil de primeiro momento. O nosso próprio vocabulário, fruto de nossa cultura, expressa bem esses pequenos preconceitos do dia-a-dia. Lembro de um filme que eu assisti sobre o Malcolm X, seu tutor pedia para que ele olhasse no dicionário o sentido da palavra “preto” e depois do “branco”. Nós vivemos acreditando que “viado” possa ser uma ofensa, que “favelado” não é condição social, é ser um degenerado. Que “pagão” possa ser algo ruim ou que “ateu” é ainda pior.

Não preciso ser um dependente químico para compreender que isto é uma doença.
Não preciso ter algum deficit intelectual para saber que a sociedade sente pena e dó.
Não preciso ser gordo para saber o quão difícil é não se enquadrar em algum padrão.

Viver socialmente é compreender diferenças, das simples até as mais sofisticadas. Engana-se quem acha que ser cidadão é ganhar uma bela forma ao nascer e passar sua vida inteira, em vão, tentando se encaixar nela.
Sofri o preconceito por ser gordo. Também vi o preconceito que meu pai viveu por ser negro, que minha mãe viveu por ser tímida, que meus amigos viveram por seus próprios motivos. Por muito tempo também fui o preconceituoso, imerso em minha própria ignorância e ego, acreditando que o certo era o que eu acreditava.

Ainda busco ser uma pessoa melhor. Sei que nessa vida, curta por definição, não conseguirei me despir de todos os meus preconceitos, mas quero tentar até o último instante dela, não só a mim, mas também para que outros possam pensar melhor sobre as suas próprias posturas. E quando por fim embarcar no barco de Caronte, posso sorrir por ter feito tudo que podia.

 

Comentários do autor

Postagem originalmente publicada no dia 10/09/2014 em decorrência aos diversos crimes de intolerância que surgiram.

Eu te entendo

Algumas vezes tenho alguns clientes com uma boa empatia que são capazes, como diz a qualidade, de capturar meus sentimentos.

Hoje estava atendendo uma moça que queria falar com minha mãe, eu pedi para que aguardasse enquanto ela chegasse. Enquanto isso veio uma senhora para pedir uma peça e reproduzo o diálogo

– Eu queria uma pecinha do meu fogão.

– Que peça seria.

– É uma pecinha que fica atrás, você coloca ela na mangueira assim (fazendo gestos com a mão)

– Não vou ter essa peça.

– Mas você sabe do que estou falando?

– Creio que não senhora, porém tenho pouquíssima coisa de fogão. Nós trabalhamos mais com máquina e geladeira e entre as peças que tenho, nenhuma se encaixa na descrição.

– Você não tem fogão em casa? (Em tom irritado)

– (Respiro) Tenho, mas no meu é um cano direto onde vai a mangueira.

Percebendo que não conseguiria ela olhou para a moça que aguardava, não agradeceu e foi embora.

A moça que aguardava minha mãe, olhou para mim “Nossa… Acho que te salvei de uma. A senhora já estava ficando brava” disse. Eu apenas respondi que por aqui era algo normal.

E realmente é.

Parando para pensar eu aprendi a não esperar “Bom dia” ou tampouco ouvir um “Obrigado”. Acostumei a ser maltratado por não saber o diâmetro do cabo do freio de um Fusca, mesmo dizendo que a loja é de refrigeração e eu não tenho um Fusca ou sou mecânico de automóveis.

Realmente a gente se acostuma com muita coisa…

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