400 anos da morte Shakespeare

William-Shakespeare.jpgoje é dia dO Bardo. Há 452 anos nasceu William Shakespeare e nos deixou a 400 anos atrás. Escreveu 38 peças, 154 sonetos e dois poemas narrativos, sua obra é alvo de estudos até hoje graças a suas metáforas e multi-sentidos que transformam o entendimento do texto dependendo do conhecimento do leitor.
Suas mais famosas peças: Hamlet, Rei Lear, Romeu e Julieta, Otelo, Sonhos de uma Noite de Verão, Macabeth, o Mercador de Veneza e A Megera Domada, são fundamentos da cultura pop tão enraizados que mal percebemos.
Hamlet inspirou a história do Rei Leão, assim como A Megera Domada é a base do filme 10 Coisas que eu Odeio em Você. Frases como “Ser ou não ser, eis a questão” e “Há mais coisas no céu e na terra, Horácio, do que sonha a tua filosofia.” (O “vã”, geralmente encontrado em traduções para português não está no texto original), “Um cavalo, meu reino por um cavalo”, “Nossos corpos são como jardim, e nossas vontades os jardineiros” são até hoje citadas à exaustão.
Criador de 1700 palavras do idioma inglês, inspiração para Schopenhauer, Freud, Goethe e Machado de Assis, torna difícil imaginar o mundo sem a obra de Shakespeare, mas podemos dar asas à imaginação e dizer que provavelmente seria mais chato e menos criativo.

Deu ruim para a Meta de Leitura

Neste mês estava programado a leitura de O Idiota e Fiódor Dostoiévski, porém não consegui achar o livro em sebos ou bibliotecas perto de mim. Logo não poderei lê-lo e fazer a resenha.

Provavelmente adiantarei algum livro ou trocarei por outro clássico, provavelmente Hamlet, que já li duas vezes neste ano.

Meta de Março – Édipo Rei

Édipo Rei de Sófocles, lido conforme minhas metas de 2016.

Édipo Rei é um clássico da tragédia grega, peça que acabou por virar referência na psicanálise. Conta a história de Édipo, filho de Laio com Jocasta, criada pelo dramaturgo grego Sófocles por volta de 427 aec.

édipo rei
Édipo Rei,de Sófocles

Advertido pelo oráculo que seu filho o mataria e casaria com sua esposa Jocasta, Laio acaba por desacreditar tal profecia, tem um filho e abandona a criança com os tornozelos furados para encontrar sua própria morte. Qualquer conhecedor de tragédias gregas sabe que se há algo que não se pode desafiar é o destino dados por oráculos, a criança sobrevive ao ser encontrada por pastores e foi levada a Polibo, rei de Corinto.

Já adulto Édipo, que em grego pode ser traduzido no grego como “pés inchados”, consulta o oráculo e recebe a notícia de seu destino, já ditado para Laio, atordoado ele segue para Tebas onde confirmará tudo aquilo que foi descrito.

Sem saber que Laio era seu pai, o mata na estrada depois de uma desavença, derrota a Esfinge, atormentadora do povo Tebano que em agradecimento o torna rei e acaba por desposar Jocasta, sua mãe.

Mas uma boa tragédia grega não pararia com uma morte apenas, descobrindo o que acontecera Édipo acaba por se cegar e Jocasta se enforca.

No século XIX, Sigmund Freud, pai da psicanálise, utiliza-se da peça para criar o Complexo de Édipo, que trata do conjunto de desejos amorosos e hostis da criança em relação a seus pais, com o desejo pelo sexo oposto e a vontade de assassinar, de forma metafórica ou não, seu progenitor do mesmo sexo.

Édipo Rei é uma tragédia sobre relações familiares e sobre auto investigação. Traz o questionamento básico da filosofia grega da compreensão de seu ser. É tão antropocêntrica que, apesar do destino traçado nos três oráculos, não aparecem os deuses. O destino está traçado, porém cabe ao homem entender os seus desígnios, Édipo se faz perguntas “Quem matou Laio?”  que virará no decorrer da peça “Serei eu o assassino de meu pai?” enfim chega ao cerne de todos os questionamentos: Quem sou eu?

E essa é a pergunta que nos resta responder pelo resto de nossas vidas.