Meta de Janeiro – Antígona

Antígona de Sófocles, lido conforme minhas metas de 2016.

coluna

Ler uma tragédia grega é contemplar o passado e a formação do pensamento ocidental em seu mais puro estado. Antígona é uma peça teatral curta, porém de profundo significado. Continuação da também tragédia Édipo Rei, trata da história dos filhos de Édipo: Etéocles, Polinice, Antígona e Ismênia.

Tudo começa com um acordo entre Etéocles e Polinice de revesar o trono de Tebas trocando a posição a cada ano, porém Etéocles, o primeiro a comandar, desiste da troca e Polinice se alinha à cidade vizinha com a finalidade de derrotar seu irmão.

Porém na guerra os dois deram-se o golpe mortal, tombando ao mesmo tempo. Quem assume é seu tio, Creonte irmão de Jocasta, que por sua vez é esposa de Édipo.

Creonte decide que fossem dadas as honrarias fúnebres a Etéocles, que lutou por Tebas, enquanto seu irmão Polinice deveria ficar onde caiu e ser destroçado por animais carniceiros. Além de que nenhum cidadão tebano poderia dar tal sepultamento.

Antígona, triste pelo tratamento dado ao corpo de Polinice, resolve desafiar Creonte e ela mesma o enterra. O soberano sabendo de tal desaforo a prende em um túmulo para que morra de fome, o que dá início ao conjunto de tragédias que se abatem na família.

Antígona enterra seu irmão
Antígona enterra seu irmão Polinice

Nesse clássico há o embate entre a consciência individual, representada por Creonte e seu pensamento déspota de deixar um corpo apodrecer por traição do morto por convicções, notavelmente humanas, mas não no sentido clássico de humanismo, mas sim do que nos é de ruim. Do outro lado Antígona é a consciência coletiva que estabelece o “certo” e o “imoral”, que é ao mesmo tempo o lado religioso (nada mais claro e atual do que a religião definindo morais da sociedade) e sua certeza de que um corpo deve receber os ritos funerários adequados, não importando seus crimes.

Creonte e Antígonas são criminosos cada um a sua maneira. Enquanto Creonte desobedece as tradições, Antígona as leis de seu país. E aos dois, como em toda tragédia grega, há punição na forma de duas mortes pelas quais acabam sendo responsáveis, cada um a sua maneira.

O que nos ensina o perigo dos extremos, de levar às duras penas as leis sociais e pessoais que nos cercam. A dicotomia entre a lei dos deuses e a lei dos homens, realçando os conceitos de direitos subjetivos, dá nascimento há um clássico de leitura fácil e imprescindível para entender o pensamento ocidental.

 

Autor: Pedro Moreno

Professor de inglês

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