Está no Procon!

“Está no Procon!”

A frase já nasce errada tal qual passeata pelo “Orgulho Hétero”, como se fosse algo muito difícil ser hétero por aqui. Para começo de conversa o Procon é uma fundação com o objetivo de proteção e defesa do consumidor. Não são eles que fazem leis e tampouco são responsáveis por fazer elas serem cumpridas.

Ainda assim é um órgão importante! Principalmente para o comércio. Posso apostar que por causa dele todo comerciante já se interessou pelas leis do consumidor, nem que por medo que tal órgão batesse à sua porta. E se tem alguma coisa com a qual o comerciante se importa é o seu bolso.

Eu não sou diferente. Li o código do consumidor sim, não da forma como os estudiosos de direito o fazem, mas amadoramente apenas com a pretensão de saber o que posso e não preciso fazer.

Sim. Não “precisar fazer” é de grande ajuda.

O comércio de forma geral tenta sempre ser bondoso em muitos aspectos. As trocas, por exemplo, são uma cortesia e não obrigação. Ninguém é obrigado a trocar aquela calça que você ganhou da tua tia-avó que ainda acredita que você pesa vinte quilos a menos, mas se faz isso como forma de cativar o cliente.

Porém tais regalias ganharam ares de obrigação e é isso que me incomoda. Eu não troco peças elétricas ou eletrônicas e deixo isso bem avisado. Porque eu sei o que os clientes fazem, não sabem ao certo o defeito, compram a peça e testam na máquina para então descobrir que não era esse o problema. Depois vêm à loja para efetuar uma troca por outra coisa.

Uma coisa que não gosto: Mau caratismo. Caso você deseje economizar dinheiro não chamando um técnico para ver seu eletrodoméstico, terá que arcar com as consequências de gastar dinheiro com a troca de peças que estavam boas. A vida é assim mesmo, quem não sabe se arrisca e pode pagar mais caro.

Eu não preciso trocar peças elétricas, logo não o faço. O mesmo vale para o técnico que diz “A cliente desistiu do serviço”. Claro. Eu nasci ontem de realmente acreditar que a peça, fora da embalagem e com marcas de uso, realmente não precisou ser usada. Sou ingênuo, afinal!

Certa vez um cliente ao comprar disse que estava na lei o desconto para pagamento à vista. Disse que não e ele começou a se alterar, inclusive dando um número de “10% para pagamento em dinheiro!”. É claro que tal absurdo não existe em lei nenhuma e mesmo que existisse esse valor seria agregado ao valor de todas as mercadorias para quando dessem o “desconto” o valor chegasse ao lucro normal.

Disse que não dava o desconto. Ele esbravejou o quanto pôde. Joguei o código do consumidor à sua frente “Então acha onde está escrito isso”. Desde que os comércios foram obrigados a manter um livro desses disponível para consulta a minha vida de comerciante ficou muito mais fácil. Ninguém até hoje teve coragem de procurar na lei, em um misto de preguiça e falta de intimidade com a linguagem jurídica ou até no próprio português, essa língua alienígena na vida de alguns.

Até hoje já fui “ameaçado de Procon” quatro vezes e em nenhuma aconteceu nada por dois motivos simples. O primeiro é o mais óbvio, se você não tem razão não vale a pena ir passar o ridículo de precisar de um desconhecido te avisar disso. O segundo é a nota fiscal.

Eu já falei sobre Nota Fiscal aqui e esse importante documento ninguém lembra de guardar. Isso mesmo, as pessoas jogam fora a nota e quando vão ao Procon descobrem que sequer são atendidas sem ela. Que pena!

Mas as coisas são assim por aqui, para justificar seus desejos até leis são inventadas.

 

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