LAZULI

[00:44, 3/2/2018] ****: LAZULI

Tudo começou com aquele tiro de raspão, estávamos parados no ponto de ônibus e eu pressenti que algo ruim aconteceria, como sempre pressinto e sempre acontece. depois estávamos no ônibus e um vidro estourou, a bala passou entre o meu braço e o seu, lembra?

* * *

Também teve aquela vez que fomos ao bar e depois de muitas doses passamos a encher o saco de todos ali. Vieram uns dois caras de regata com uns tribais daqueles mal feitos e rostos que afrontam quem olha. Lembro de você puxando uma garrafa e acertando logo o maior deles, a garrafa quebrada, sangue, cerveja e cacos espalhados pelo chão. Levamos a pior e ficamos lado a lado no pronto socorro. Como você poderia esquecer, né?

Deu em cima da enfermeira, da médica e até da moça da limpeza. Depois de alta primeiro voltamos ao bar, com a maior cara lavado do universo, e depois que fomos à farmácia comprar os antibióticos.

Teve aquela do churrasco na casa do Boy, onde juramos que não íamos beber e cumprimos até o final. Galera em peso dizendo que nos preferia chumbados na cachaça que aí não daríamos tanto trabalho. Você lembra do Moacir? Tomou tanto tapa no pescoço que ainda deve ter marca de dedo.

Nos metemos em tanta confusão que o delegado do bairro até pensou em fazer uma capivara só nossa, para não perder tempo fazendo duas. O escrivão teve até tendinite e ficou afastado no Carnaval de 97.

Lembra do Otávio? Cachorro cheio de rabujo que nunca tinha visto. Depois de dois meses morando com a gente estava em melhor saúde que você. Pelo brilhante que acastanhava no sol da laje. E quando ensinamos ele a jogar areia nos outros da praia? Época de ouro.

E quando vimos o fantasma? Eu juro que era! Você aí todo racional com toda sorte de teorias sobre física e que a refração de sei lá-o-quê… Cara… Você é foda.

E agora você aí. Nesse caixão cor de lazúli. Todo frio e duro.

 

Meta de Abril substituta – Amor de Perdição

Camilo-bio1Amor de Perdição de Camilo Castelo Branco, em substituição à minha meta de 2016

Primeiro vamos situar você, amigo leitor. Eu tenho uma meta de leitura que me dei em 2016, cujo link está aí em cima. Neste mês de Abril estava previsto o livro O Idiota, de Fiódor Dostoiévski. Não encontrei nos sebos da cidade e nem nas bibliotecas. Então soltei a publicação avisando que haveria alteração, no mesmo dia encontrei o livro em Ebook e passei a lê-lo.

Livro legal, leitura fluindo e eu de olho que a porcentagem lida, que fica logo abaixo no Kindle, demorava a mudar. Cheguei no segundo capítulo e chegou em dois porcento. Procurei na internet pelo número de páginas do livro físico e descobri que por pouco não chega a 700.

Eu consigo ler 700 páginas, mas não em tão pouco tempo tendo família, trabalho e faculdade.

Então no lugar farei a resenha de um livro clássico da literatura portuguesa, o mesmo que fiquei responsável por explicar para os alunos na primeira regência que fiz no estágio da faculdade. Hoje falaremos de Amor de Perdição, de Camilo Castelo Branco.

Amor de Perdição foi escrito pelo Camilo Castelo Branco em 1861, auge da era ultrarromântica e em um período em que o autor estava preso por adultério. Em exatos 15 dias Camilo refez a história de Romeu e Julieta com pinceladas portuguesas e absorvendo o que era o movimento romântico naquela época.

O primeiro fato que se pode falar sobre o romantismo é o amor exacerbado e a inclinação trágica típica dos autores ultrarromânticos. Uma história dessa sem uma amor impossível e sem mortes não é possível. E dessa forma é contada a história de Simão, filho de Domingos e Rita, que se apaixona por uma menina chamada Teresa, que assim como a clássica Julieta de Shakespeare, tem apenas 15 e pertence a uma família rival.

Teresa, que mora ao lado também é a típica heroína romântica. Devota toda a sua vitalidade para com Simão e é correspondida. Porém como tudo não são flores, os pais dos dois apaixonados descobrem e acabam por afastá-los. À Teresa fica a opção de casar-se com um primo, chamado Baltasar, ou o convento. Decide pela última e continua a se corresponder com Simão.

Porém a narrativa não vive só do triângulo amoroso entre Simão, Teresa e o Baltasar. Outro triângulo se forma com o aparecimento de Mariana, apaixona-se a tal ponto por Simão que prefere ajudá-lo a ficar com Teresa, pois assim ele ficaria feliz.

Ao todo no livro morrem seis pessoas. O mesmo número de mortes em Romeu e Julieta, sendo a última morte a mais impactante. A grande diferença é o público ao qual é destinado, enquanto o Bardo tinha uma certa aversão a tudo o que era povo, Camilo escreveu para a emergente classe burguesa de Portugal. Camilo narra um folhetim de amor levado às últimas consequências, tanto que dois personagens da trama morrem por terem amado demais.

Um livro bem recomendado de um período muito importante da literatura mundial e escrito pelo primeiro autor português a conseguir viver de seus escritos.

 

400 anos da morte Shakespeare

William-Shakespeare.jpgoje é dia dO Bardo. Há 452 anos nasceu William Shakespeare e nos deixou a 400 anos atrás. Escreveu 38 peças, 154 sonetos e dois poemas narrativos, sua obra é alvo de estudos até hoje graças a suas metáforas e multi-sentidos que transformam o entendimento do texto dependendo do conhecimento do leitor.
Suas mais famosas peças: Hamlet, Rei Lear, Romeu e Julieta, Otelo, Sonhos de uma Noite de Verão, Macabeth, o Mercador de Veneza e A Megera Domada, são fundamentos da cultura pop tão enraizados que mal percebemos.
Hamlet inspirou a história do Rei Leão, assim como A Megera Domada é a base do filme 10 Coisas que eu Odeio em Você. Frases como “Ser ou não ser, eis a questão” e “Há mais coisas no céu e na terra, Horácio, do que sonha a tua filosofia.” (O “vã”, geralmente encontrado em traduções para português não está no texto original), “Um cavalo, meu reino por um cavalo”, “Nossos corpos são como jardim, e nossas vontades os jardineiros” são até hoje citadas à exaustão.
Criador de 1700 palavras do idioma inglês, inspiração para Schopenhauer, Freud, Goethe e Machado de Assis, torna difícil imaginar o mundo sem a obra de Shakespeare, mas podemos dar asas à imaginação e dizer que provavelmente seria mais chato e menos criativo.

Deu ruim para a Meta de Leitura

Neste mês estava programado a leitura de O Idiota e Fiódor Dostoiévski, porém não consegui achar o livro em sebos ou bibliotecas perto de mim. Logo não poderei lê-lo e fazer a resenha.

Provavelmente adiantarei algum livro ou trocarei por outro clássico, provavelmente Hamlet, que já li duas vezes neste ano.

Meta de Março – Édipo Rei

Édipo Rei de Sófocles, lido conforme minhas metas de 2016.

Édipo Rei é um clássico da tragédia grega, peça que acabou por virar referência na psicanálise. Conta a história de Édipo, filho de Laio com Jocasta, criada pelo dramaturgo grego Sófocles por volta de 427 aec.

édipo rei
Édipo Rei,de Sófocles

Advertido pelo oráculo que seu filho o mataria e casaria com sua esposa Jocasta, Laio acaba por desacreditar tal profecia, tem um filho e abandona a criança com os tornozelos furados para encontrar sua própria morte. Qualquer conhecedor de tragédias gregas sabe que se há algo que não se pode desafiar é o destino dados por oráculos, a criança sobrevive ao ser encontrada por pastores e foi levada a Polibo, rei de Corinto.

Já adulto Édipo, que em grego pode ser traduzido no grego como “pés inchados”, consulta o oráculo e recebe a notícia de seu destino, já ditado para Laio, atordoado ele segue para Tebas onde confirmará tudo aquilo que foi descrito.

Sem saber que Laio era seu pai, o mata na estrada depois de uma desavença, derrota a Esfinge, atormentadora do povo Tebano que em agradecimento o torna rei e acaba por desposar Jocasta, sua mãe.

Mas uma boa tragédia grega não pararia com uma morte apenas, descobrindo o que acontecera Édipo acaba por se cegar e Jocasta se enforca.

No século XIX, Sigmund Freud, pai da psicanálise, utiliza-se da peça para criar o Complexo de Édipo, que trata do conjunto de desejos amorosos e hostis da criança em relação a seus pais, com o desejo pelo sexo oposto e a vontade de assassinar, de forma metafórica ou não, seu progenitor do mesmo sexo.

Édipo Rei é uma tragédia sobre relações familiares e sobre auto investigação. Traz o questionamento básico da filosofia grega da compreensão de seu ser. É tão antropocêntrica que, apesar do destino traçado nos três oráculos, não aparecem os deuses. O destino está traçado, porém cabe ao homem entender os seus desígnios, Édipo se faz perguntas “Quem matou Laio?”  que virará no decorrer da peça “Serei eu o assassino de meu pai?” enfim chega ao cerne de todos os questionamentos: Quem sou eu?

E essa é a pergunta que nos resta responder pelo resto de nossas vidas.

 

Meta de Fevereiro – Prometeu Acorrentado

Prometeu Acorrentado, de Ésquilo, lido conforme minhas metas de 2016.

Prometeu Acorrentado é uma tragédia grega que faz parte de uma trilogia composta por Prometeu acorrentado, Prometeu libertado e Prometeu portador do fogo, porém apenas essa sobreviveu aos dias atuais. Até sua autoria é contestada por parte dos estudiosos que a atribuem a outro autor anônimo.

Prometeu é um dos titãs da mitologia grega e usurpador do fogo divino, metáfora para os meios de subsistência da humanidade. O fruto do seu roubo foi dado aos homens e Prometeu acaba acorrentado no monte Cáucaso por Héfeso, a mando de Zeus, e lá ficaria por 30 mil anos queimando sob o sol e tendo seu fígado bicado por uma águia.

Prometeu acorrentado
Prometeu acorrentado

Prometeu Acorrentado é uma ode contra a tirania. Prometeu acorrentado às rochas recebe consolos e conselhos de seus visitantes para que se arrependa de seu ato, talvez Zeus o tirasse dali, porém mantém sua dignidade e reluta contra sua própria sorte. Engana-se quem acha que a revolta do oprimido contra o opressor é algo inventado por Marx e luta de classes nada mais é que um desejo interno de todo socialista. Os gregos, pais do pensamento moderno ocidental, já discorriam sobre tais intentos desde outrora.

“Em uma só palavra, odeio todos os deuses”, brada Prometeu ainda dizendo que sabe de como será o fim de Zeus e nada fará ou falará para que não ocorra e esse acaba por ser seu destino final. Talvez Prometeu estivesse certo quanto quanto ao destino de Zeus e toda a mitologia grega, agora substituída pela cristã e sua moral consequentemente. Substituímos um salvador da humanidade que até o fim lutou contra a autarquia divina por um filho de Deus, que na tradição cristã é um só, sofredor e de caráter bovino.

 

 

 

Meta de Janeiro – Antígona

Antígona de Sófocles, lido conforme minhas metas de 2016.

coluna

Ler uma tragédia grega é contemplar o passado e a formação do pensamento ocidental em seu mais puro estado. Antígona é uma peça teatral curta, porém de profundo significado. Continuação da também tragédia Édipo Rei, trata da história dos filhos de Édipo: Etéocles, Polinice, Antígona e Ismênia.

Tudo começa com um acordo entre Etéocles e Polinice de revesar o trono de Tebas trocando a posição a cada ano, porém Etéocles, o primeiro a comandar, desiste da troca e Polinice se alinha à cidade vizinha com a finalidade de derrotar seu irmão.

Porém na guerra os dois deram-se o golpe mortal, tombando ao mesmo tempo. Quem assume é seu tio, Creonte irmão de Jocasta, que por sua vez é esposa de Édipo.

Creonte decide que fossem dadas as honrarias fúnebres a Etéocles, que lutou por Tebas, enquanto seu irmão Polinice deveria ficar onde caiu e ser destroçado por animais carniceiros. Além de que nenhum cidadão tebano poderia dar tal sepultamento.

Antígona, triste pelo tratamento dado ao corpo de Polinice, resolve desafiar Creonte e ela mesma o enterra. O soberano sabendo de tal desaforo a prende em um túmulo para que morra de fome, o que dá início ao conjunto de tragédias que se abatem na família.

Antígona enterra seu irmão
Antígona enterra seu irmão Polinice

Nesse clássico há o embate entre a consciência individual, representada por Creonte e seu pensamento déspota de deixar um corpo apodrecer por traição do morto por convicções, notavelmente humanas, mas não no sentido clássico de humanismo, mas sim do que nos é de ruim. Do outro lado Antígona é a consciência coletiva que estabelece o “certo” e o “imoral”, que é ao mesmo tempo o lado religioso (nada mais claro e atual do que a religião definindo morais da sociedade) e sua certeza de que um corpo deve receber os ritos funerários adequados, não importando seus crimes.

Creonte e Antígonas são criminosos cada um a sua maneira. Enquanto Creonte desobedece as tradições, Antígona as leis de seu país. E aos dois, como em toda tragédia grega, há punição na forma de duas mortes pelas quais acabam sendo responsáveis, cada um a sua maneira.

O que nos ensina o perigo dos extremos, de levar às duras penas as leis sociais e pessoais que nos cercam. A dicotomia entre a lei dos deuses e a lei dos homens, realçando os conceitos de direitos subjetivos, dá nascimento há um clássico de leitura fácil e imprescindível para entender o pensamento ocidental.

 

Meta de Leitura – 2016

Leio sim, pois não me parece útil não ler.

Diferente de muitas listas que circulam com a quantidade de livros a serem lidos, farei em 2016 algo que tenha qualidade. Então esse ano lerei clássicos segundo a recomendação do Professor Leandro Karnal em sua página no Facebook e mais algumas indicações de clássicos da literatura mundial. Tive que jogar Homero para Julho e e Dezembro, quebrando a sequência grega, pois sei que serão muito densos para se ler enquanto faço a faculdade.

Um clássico por mês.

Janeiro – Antígona, de Sófocles

Fevereiro – Prometeu acorrentado, de Ésquilo

Março – Édipo Rei, de Sófocles

Abril –  O Idiota, de Fiódor Dostoiévski

Maio – Robson Crusoé, de Daniel Defoe

Junho – Tom Jones, de Henry Fielding

Julho – Odisseia, de Homero

Agosto – Madame Bovary, de Gustave Flaubert

Setembro – Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis

Outubro – O Estrangeiro, de Albert Camus

Novembro – O Evangelho Segundo Jesus Cristo, de José Saramago

Dezembro – Ilíada, de Homero

 

Essa será minha lista de leitura clássica. Fora esses manterei minhas leituras “por fora” como de costume. Assim que acabar cada uma pretendo fazer um pequeno resumo (ou resenha, depende do que me parecer melhor) e colocar aqui no blog.

E você? Qual é seu desafio para 2016?

Ps: Acompanhe o Leandro Karnal. De nada.

 

 

2015… Que ano social estranho!

Dizem que na verdade o conceito de esquerda e direita política não podem ser colocados em uma régua, dizendo que um está distante do outro. A melhor definição é a ferradura, onde os extremos ficam perto uns dos outros, mas sem se tocarem.

Teoria da Ferradura 1

Com o surgimento da New Wave of Brazilian Right (inventei o termo baseado o NWBHV), e segundo Newton “sempre que um corpo exerce uma força sobre outro, esse outro exercerá sobre o primeiro uma força de mesmo módulo e em sentido contrário”, podemos ver o crescimento dos justiceiros sociais. Um grupo alinhado ao pensamento de esquerda que consegue envergonhar a esquerda e dar munição à direita.

E com esse grupo surgiu uma grande quantidade de neologismos tão ruins quanto os já discutidos aqui. Descobrimos termos, e seus funcionamentos, de coisas como emponderamento, lugar de fala, espaço seguro e outros mais. Até aí parecia algo tranquilo, mas com eles surgiu coisas abomináveis como palmitagem, omice, falsa simetria etc.

A situação, que já era ruim tendo que aguentar um monte conservadores jovens (Hahahaha), ficou pior 2015 com esses grupelhos que conseguem tirar do sério qualquer pessoa com um mínimo de inteligência. A começar com o neologismo OMI.

Se você não sabe o que é “omi” (ou “uzomi” ou “omice” ou “piroco”), saiba que é uma forma pejorativa de se escrever “homem”. E seguido desse substantivo seguem as maiores barbaridades misândricas possíveis.

Um clássico da Aventuras na Justiça Social
Um clássico da Aventuras na Justiça Social

É isso mesmo amiguinho. Enquanto uns lutam para fazer o mundo um lugar mais igual e com oportunidades para todos, outros problematizam tanto que gera um curto circuito na cabeça e acabam por denegrir a imagem do movimento social. Ou você acha que com um discurso desse alguém leva a sério esse feminismo canhestro? Que aliás nem consegue respeitar seus pares.

Sejamos sinceros uns com os outros. É preciso de pessoas que zelem por grupos sociais que são historicamente oprimidos por “n” motivos que nem preciso elencar aqui. O que não precisamos é de mais ódio.

E por falar em ódio você sabe o que é eugenia?

Basicamente é um pensamento social que prega a eliminação de pessoas “geneticamente inferiores” em prol de uma sociedade “melhor” (caso ficou curioso tem mais aqui sobre o tema). Um exemplo desse tipo de pensamento foi o governo nazista na Alemanha que bolou um plano para extinguir raças consideradas inferiores.

É claro que volta e meia reaparece essa questão. E esse ano ela voltou a aparecer na forma da palavra palmitagem.

Hitler curtiu isso

Hitler curtiu isso

Segundo uma parcela (ainda bem que é pequena) do movimento negro, cada pessoa só deve se relacionar com pessoas da mesma cor. Isso mesmo que você leu. Nós brasileiros, que somos frutos da miscigenação étnica, em pleno século XXI onde o conceito raça já não é aceito e filhos da mistura onde não há mais africanos originais na nossa terra, teríamos que (sabe-se lá como!)  nos relacionarmos apenas com pessoas de cores parecidas com a nossa.

Minha esposa e eu
Minha esposa e eu

Na foto acima consta minha esposa e eu. Você pode ver pelo cabelo encarapinhado de minha esposa e por sua cor que ela é negra . Já o meu rosto rosado, de quem bebeu algumas, e minha barba lisa, indica que sou branco. Porém o que a foto não mostra é que o pai de ambos era negro, ficando a tonalidade mais clara por causa da mãe. Então não poderíamos estar juntos, afinal apesar de ambos terem o pé na África, nascemos de cores diferentes.

O que é uma bobagem sem tamanho.

E não fica por aí, pois cada movimento social já tem sua parcela de justiceiros prontos para esculhambar geral. Tem no movimento LGBT, Negro, Feminista, Direitos dos Animais (sério…) e parecem cada vez ganhar mais voz (Recomendo a página Aventuras na Justiça Social para entender melhor).

Então movimentos que sempre foram bons para sociedade, nas questões de legitimar lutas honestas contra problemas sérios, acabam por tornarem-se caricaturas grotescas pós-modernas e facilmente destabilizadas por argumentos.

Para terminar sobra a frase do grande educador Paulo Freire (que alguns dirão que não vale nada, afinal ele era cis/branco/hétero/omi/opressor).

 

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2015… Que ano político estranho!

Vou te falar, 2015 foi um ano estranho dentro da política!

O país polarizou-se e quem perdeu fomos nós. Em uma das páginas organizadoras das manifestações fica claro como anda o pensamento comum brasileiro “NA GUERRA DO BEM CONTRA O MAL”, assim mesmo em caixa alta para mostrar a agressividade que impera nos discursos vagos. E o outro lado desta pendenga também não está muito longe mostrando que o governismo é uma doença de difícil cura nesse trópico.

Vamos aos pontos claros: Quase ninguém está satisfeito com o governo atual. Fica complicado avançar com uma oposição que apenas faz jus ao nome e, sinceramente, está pouco interessada no melhor para o Brasil, quer que cheguemos no fundo do poço para que aprendamos em quem votar, no caso neles mesmos. Barrando leis de importância para o país e tentando salvar os seus.

A primeira vítima de uma guerra política: A verdade.
A primeira vítima de uma guerra política: A verdade.

Enquanto isso não sabemos o que aconteceu exatamente com aquele PT antes da eleição de Lula. É pouco crível que um partido que se ergueu com bandeiras tão honestas e importantes tem a desonestidade moral de comemorar a saída de seus filiados da prisão. E pior é imaginar “O que esse cara está fazendo lá ainda?”, se fosse um partido minimamente sério já teria botado na rua todo acusado de corrupção. Uma limpeza mais que necessária.

O que gera alguns comentários até que estranhos vindos dos que escolheram o outro candidato. Agora agem como se tivessem escolhido o certo e os outros o errado.

Mas coloquemos os pontos nos “is”. Os dois lados escolheram os errados, ali era uma mera questão estética de quem acreditou na forma de governo de cada partido. Ou você votava na Dilma e aguentava o restante do partido e suas corrupções, ou votava no Aécio e levava o próprio corrupto para o planalto. Aquele tipo de decisão que você sabe que dará errada de qualquer forma e no final você pede até desculpa para o mesário sobre o que você fez. A única arma de quem votou no segundo lugar é que não podemos previr como ele governaria. O que é bem falho também, mas cada um se engana como quer ou consegue.

Há dois sentimentos que se usa na hora do voto e nenhum deles é coerente: Medo e esperança. Temos medo do que o outro candidato poderá fazer e esperança que o escolhido faça melhor.

E para entornar o caldeirão político uma face do brasileiro que andou oculta por tanto tempo volta a brilhar sob o sol e aplausos da massa que não consegue nem identificar a diferença entre o executivo e legislativo.

A figura de Jair Messias Bolsonaro ganha o povo. Militar da reserva e deputado federal há 25 anos tornou-se o bastião do analfabetismo político brasileiro. Em toda a sua carreira como deputado foi responsável por apenas UM projeto (que nem conseguiu ser votado) e ainda colocou seus filhos na política.

Um preconceituoso “com muito orgulho” que já defendeu a tortura, o golpe militar, relacionou relações inter raciais como promiscuidade e que filhos homossexuais são casos “falta de porrada”. Isso que não disponho de tempo nem vontade para enumerar todos os seus problemas. Assim aos poucos observamos calados o nascimento do fascismo à brasileira. Aquele que prega uma arianidade parda que no máximo que consegue pensar é em uma separação do sul do resto do país (mesmo sendo de São Paulo e não entender que não faz parte de Sul), o que é chamado de Ariano Sonho de Valsa, preto por fora e branco por dentro.

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Dá até pena de quem torce por isso.

E como no início do texto eu falava sobre a luta entre o bem e o mal, é claro que precisavam de um nêmesis para o Bolsonaro e no fim conseguiram apenas a antítese na forma de Jean Willys.

Diferente de Bolsonaro com seu único projeto em 25 anos, Willys apresentou 8 projetos em seus mandatos e ganhou recentemente o prêmio de melhor deputador de 2015, mas em uma sociedade de intolerância que cresce de forma assombrosa fica difícil ter seus méritos reconhecidos.

E nesse mar infundado de ódio sobra boatos como: Emenda à Bíblia, licença-maternidade para quem fazer aborto, defesa da pedofilia e outros ataques que só expõem a mentalidade medíocre de quem espalha.

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Enquanto isso, em meio ao espalhafatoso pedido de impeachment, os holofotes deixaram um pouco de lado o governador de São Paulo que fez e desfez do jeito que só quem é blindado pela imprensa pode. Alguns até ameaça-no de filiar Alckmin ao PT e assim ele poder responder por seus erros. E para ficar realmente feio é ter que ler do Paulo Maluf (Sim… Esse do “rouba, mas faz” e do “estupra, mas não mata”) “Eu Paulo Maluf me orgulho de ter construído 998 escolas, mais de 300 creches e não fechei nenhuma”. 

Nesse meio tempo conseguiu-se a proeza de criminalizar o pensamento de esquerda como se fosse algo absurdo. Na verdade o que se percebe no pensamento pequeno dessas pessoas é vontade de sobrepujar a democracia, deixando de lado a pluralidade política que enriquece o discurso político. Ainda bem que os “argumentos” para tal nem bem podem ser chamados disso. São apenas frases desconexas cheias de jargões canhestros que parecem ter sido roteirizados nA Praça é Nossa: Dilmalandra, VaDilma, corruPTo, petralha e outras bobagens desse nível infantil são destiladas contra qualquer um que se diz de esquerda, esquecendo que a própria esquerda tem tantas ramificações como qualquer pensamento político. Isso sem mencionar que esses conceitos já estão defasados há um tempo.

A mesma pessoa que coloca regimes ditatoriais como Cuba e Coréia do Norte como sendo filiados à esquerda, esquece de países como Finlândia e a Áustria, mais socialistas que os dois primeiros. Afinal apenas se cita o que te interessa.

E assim se formou o caldo político chamado de 2015. Um ano que poderia ser próspero em todos os sentidos, caso a classe política estivesse realmente determinada a cooperar com isso. Mas preferiram ficar brincando de vermelhos contra azuis enquanto os verde-amarelos ficam discutindo entre si e tomando lados em uma guerra que só perdem.

 

Mas podemos resumir tudo isso em menos de 140 caracteres:
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